domingo, 19 de agosto de 2007

Pois bem...




Pois bem...
Era minha ideia, para hoje, estabelecer no tempo o inicio dos meus trabalhos de criação pessoal. E embora a minha primeira exposição (“Cerimónia”) com alguma importância tenha ocorrido em 1993 no hall do Teatro Avenida em Luanda talvêz devêssemos recuar um pouco mais no tempo para poder enquadrar este acontecimento.
Uma das características mais visíveis e persistentes desta vertente será sem dúvida a utilização da escrita, do desenho e da pintura nos trabalhos.
O primeiro elemento com o qual tive contacto foi a escrita no inicio da minha adolescência. Sendo que, para sublinhar ou realçar alguns aspectos dos textos, comecei de seguida a utilizar alguns desenhos e esboços simples. Até que um dia descobri a fotografia...
A forma de como descobri a fotografia fica para outra ocasião. O importante para hoje é que a fotografia veio ocupar um espaço paralelo ao da escrita e desenho. Ou seja quando comecei a fazer fotografia era uma actividade à parte das outras, sem contacto. E rápidamente se tornou na actividade principal, não só pelo interesse que o tema me suscitáva mas principalmente pelo tempo despendido a tentar perceber todos os mecanismos e técnicas que me permitissem ter o controlo de todo o processo que envolve a fotografia (luz, composição, equipamento, laboratório, etc.).
Aqui tenho que abrir um parêntesis para poder enquadrar o resto da estória.
Tudo isto de que falo passou-se durante a década de 80, entre os meus 12 e 19 anos aproximadamente. Periodo durante o qual eu ainda residia em Portugal. Em 1990 parto à descoberta de Angola. Embora já tivesse vivido em Luanda a partir de um ano de idade até aos 5-6 anos não guardei muitas recordações. Quando chego a Luanda vou encontrar uma realidade muito diferente daquela à qual estava habituado em Portugal. E embora tivesse ido à procura de algo diferente a diferença veio a revelar-se muito superior à antecipada...
Os primeiros tempos foram desta forma dificeis para mim, passando muito tempo em casa, aprefeiçoando técnicas e lentamente alterando a forma de criar. Independentemente de todas as dificuldades algo começou a acontecer comigo a partir do momento em que pus os pés em Luanda.
O que me levou a começar a criar no inicio de tudo foi uma necessidade de (ou dificuldade em...) comunicar a partir das emoções e sensações que ia absorvendo do mundo à minha volta e dentro de mim. Primeiro com a escrita, logo seguido do desenho. A fotografia veio colmatar as limitações que os meios anteriores impunham.
Angola veio alterar significativamente o modo como a minha percepção do mundo (e do mundo em mim) vai influenciar a maneira de criar. Aquilo que sentia já não encontrava caminho caminho através das formas de comunicar estando estas isoladas umas das outras. Agora era preciso misturar tudo e não parar por aí...
E foi assim que começaram as minhas experiências de criação pessoal. A forma como tudo decorreu a partir do momento em que comecei a desenvolver projectos também teve um papel determinante, mas essas estórias ficam para uma próxima ocasião.

1 comentário:

Phwo disse...

A propósito (não de Lweji), lembras-te da "cerimónia" do dedo preso no projector do "Imagem & Movimento"? Ou terá sido um ritual? ehehehehehe.
Beijos!!!