domingo, 19 de agosto de 2007

Criação Pessoal


(s/titulo, pastel s/tela, !989)




( A )



( A )


( B )


( A ) - estudo p/trabalho " O tempo das flores sob uma nova perspectiva: o estado de culpa",1994


( B ) - " O tempo das flores sob uma nova perspectiva: o estado de culpa", técnica mista (areia, acrilico s/fotografia), 1994/1996



(estudo p/trabalho "Cerimónia", 1992)




(estudo p/trabalho "Cerimónia", 1992)

Pois bem...




Pois bem...
Era minha ideia, para hoje, estabelecer no tempo o inicio dos meus trabalhos de criação pessoal. E embora a minha primeira exposição (“Cerimónia”) com alguma importância tenha ocorrido em 1993 no hall do Teatro Avenida em Luanda talvêz devêssemos recuar um pouco mais no tempo para poder enquadrar este acontecimento.
Uma das características mais visíveis e persistentes desta vertente será sem dúvida a utilização da escrita, do desenho e da pintura nos trabalhos.
O primeiro elemento com o qual tive contacto foi a escrita no inicio da minha adolescência. Sendo que, para sublinhar ou realçar alguns aspectos dos textos, comecei de seguida a utilizar alguns desenhos e esboços simples. Até que um dia descobri a fotografia...
A forma de como descobri a fotografia fica para outra ocasião. O importante para hoje é que a fotografia veio ocupar um espaço paralelo ao da escrita e desenho. Ou seja quando comecei a fazer fotografia era uma actividade à parte das outras, sem contacto. E rápidamente se tornou na actividade principal, não só pelo interesse que o tema me suscitáva mas principalmente pelo tempo despendido a tentar perceber todos os mecanismos e técnicas que me permitissem ter o controlo de todo o processo que envolve a fotografia (luz, composição, equipamento, laboratório, etc.).
Aqui tenho que abrir um parêntesis para poder enquadrar o resto da estória.
Tudo isto de que falo passou-se durante a década de 80, entre os meus 12 e 19 anos aproximadamente. Periodo durante o qual eu ainda residia em Portugal. Em 1990 parto à descoberta de Angola. Embora já tivesse vivido em Luanda a partir de um ano de idade até aos 5-6 anos não guardei muitas recordações. Quando chego a Luanda vou encontrar uma realidade muito diferente daquela à qual estava habituado em Portugal. E embora tivesse ido à procura de algo diferente a diferença veio a revelar-se muito superior à antecipada...
Os primeiros tempos foram desta forma dificeis para mim, passando muito tempo em casa, aprefeiçoando técnicas e lentamente alterando a forma de criar. Independentemente de todas as dificuldades algo começou a acontecer comigo a partir do momento em que pus os pés em Luanda.
O que me levou a começar a criar no inicio de tudo foi uma necessidade de (ou dificuldade em...) comunicar a partir das emoções e sensações que ia absorvendo do mundo à minha volta e dentro de mim. Primeiro com a escrita, logo seguido do desenho. A fotografia veio colmatar as limitações que os meios anteriores impunham.
Angola veio alterar significativamente o modo como a minha percepção do mundo (e do mundo em mim) vai influenciar a maneira de criar. Aquilo que sentia já não encontrava caminho caminho através das formas de comunicar estando estas isoladas umas das outras. Agora era preciso misturar tudo e não parar por aí...
E foi assim que começaram as minhas experiências de criação pessoal. A forma como tudo decorreu a partir do momento em que comecei a desenvolver projectos também teve um papel determinante, mas essas estórias ficam para uma próxima ocasião.

Dança e Espectáculos


(C.E.D., "A Propósito de Luéji", Luanda, 1992)



(C.E.D., ensaios, Luanda, 1992)







(C.E.D., Mea Culpa, 1992)









(C.E.D., Mea Culpa, 1992)

Como tudo começou...

(Conjunto Experimental de Dança, 1992)



Tudo começou no final do ano 1991. Tinha chegado a Luanda há cerca de um ano vindo de Portugal e começava a desesperar por algum tipo de manifestação cultural numa cidade com muito pouco para oferecer além do clima e das praias (e das pessoas...). E foi então que vi na televisão local um spot a anunciar a realização de dois espectáculos do Conjunto Experimental de Dança (C.E.D.) no Teatro Avenida em Luanda.
Após a surpresa inicial em relação à existência de um conjunto do género em Angola resolvi preparar-me para aproveitar a ocasião e fazer algumas fotografias. No dia do primeiro espectáculo tive o cuidado em chegar cedo ao local de forma a obter autorização. Fui então encaminhado até à Directora Artística do C.E.D., Ana Clara Guerra Marques, que, no meio de toda a azàfama de bastidores, acedeu em conceder-me alguns minutos para informar que não seriam permitidas fotografias com flash e movimentações em cima do palco ou em frente dos espectadores.
Na altura achei estranho estas advertências pois tinha-as como óbvias. Mas o certo é que nunca tinha assistido a qualquer género de espectáculo em Luanda e mais tarde compreendi a sua razão de ser...
E pronto, lá fiz as minhas fotos, tendo regressado no espectáculo seguinte para concluir o trabalho.
Depois desses dois espectáculos nunca mais ouvi falar do C.E.D. até que, alguns meses depois, conheci a bailarina Vanda Nascimento, uma das pessoas responsável pelo conjunto, perfeitamente por acaso numa praia. Após alguma troca de impressões fiquei a conhecer um pouco mais acerca do C.E.D. e claro falei das fotos que tinha tirado nos espectáculos do Teatro Avenida.
Alguns dias depois fui assistir ao regresso aos ensaios do C.E.D. , com as minhas fotos, e tive a oportunidade de conversar e conhecer melhor a sua directora, Ana Clara.
A partir desse dia começou a minha colaboração... Algumas semanas mais tarde comecei a trabalhar no cartaz e programa que o C.E.D. havia de levar à expo 92 de Sevilha, dando assim inicio à minha carreira profissional como designer gráfico e fotógrafo.
Mais tarde vim a tornar-me um dos membros fundadores da Companhia de Dança Contemporânea de Angola, mas isso são outras estórias...