sábado, 17 de novembro de 2007

Yá...



Do outro lado da linha não sabias que a tua boca tinha esvaziado o meu estômago e asfixiado o meu pescoço, em arrepio desta música que sempre me incomodou.
Deste lado, vejo as tuas raízes que tento guardar sem tu perceberes como. "- A tradição morre e os livros ficam". "- Mas eu não vou morrer agora!"
Yá, ao longe, a serpente vermelha continua a dividir o mundo em dois: um negro e outro branco, um feminino e outro masculino.
Olho para ti de olhos presos e reparo que afinal não és. Às vezes penso em ti e depois já não.



Ana Clara Guerra Marques

domingo, 19 de agosto de 2007

Criação Pessoal


(s/titulo, pastel s/tela, !989)




( A )



( A )


( B )


( A ) - estudo p/trabalho " O tempo das flores sob uma nova perspectiva: o estado de culpa",1994


( B ) - " O tempo das flores sob uma nova perspectiva: o estado de culpa", técnica mista (areia, acrilico s/fotografia), 1994/1996



(estudo p/trabalho "Cerimónia", 1992)




(estudo p/trabalho "Cerimónia", 1992)

Pois bem...




Pois bem...
Era minha ideia, para hoje, estabelecer no tempo o inicio dos meus trabalhos de criação pessoal. E embora a minha primeira exposição (“Cerimónia”) com alguma importância tenha ocorrido em 1993 no hall do Teatro Avenida em Luanda talvêz devêssemos recuar um pouco mais no tempo para poder enquadrar este acontecimento.
Uma das características mais visíveis e persistentes desta vertente será sem dúvida a utilização da escrita, do desenho e da pintura nos trabalhos.
O primeiro elemento com o qual tive contacto foi a escrita no inicio da minha adolescência. Sendo que, para sublinhar ou realçar alguns aspectos dos textos, comecei de seguida a utilizar alguns desenhos e esboços simples. Até que um dia descobri a fotografia...
A forma de como descobri a fotografia fica para outra ocasião. O importante para hoje é que a fotografia veio ocupar um espaço paralelo ao da escrita e desenho. Ou seja quando comecei a fazer fotografia era uma actividade à parte das outras, sem contacto. E rápidamente se tornou na actividade principal, não só pelo interesse que o tema me suscitáva mas principalmente pelo tempo despendido a tentar perceber todos os mecanismos e técnicas que me permitissem ter o controlo de todo o processo que envolve a fotografia (luz, composição, equipamento, laboratório, etc.).
Aqui tenho que abrir um parêntesis para poder enquadrar o resto da estória.
Tudo isto de que falo passou-se durante a década de 80, entre os meus 12 e 19 anos aproximadamente. Periodo durante o qual eu ainda residia em Portugal. Em 1990 parto à descoberta de Angola. Embora já tivesse vivido em Luanda a partir de um ano de idade até aos 5-6 anos não guardei muitas recordações. Quando chego a Luanda vou encontrar uma realidade muito diferente daquela à qual estava habituado em Portugal. E embora tivesse ido à procura de algo diferente a diferença veio a revelar-se muito superior à antecipada...
Os primeiros tempos foram desta forma dificeis para mim, passando muito tempo em casa, aprefeiçoando técnicas e lentamente alterando a forma de criar. Independentemente de todas as dificuldades algo começou a acontecer comigo a partir do momento em que pus os pés em Luanda.
O que me levou a começar a criar no inicio de tudo foi uma necessidade de (ou dificuldade em...) comunicar a partir das emoções e sensações que ia absorvendo do mundo à minha volta e dentro de mim. Primeiro com a escrita, logo seguido do desenho. A fotografia veio colmatar as limitações que os meios anteriores impunham.
Angola veio alterar significativamente o modo como a minha percepção do mundo (e do mundo em mim) vai influenciar a maneira de criar. Aquilo que sentia já não encontrava caminho caminho através das formas de comunicar estando estas isoladas umas das outras. Agora era preciso misturar tudo e não parar por aí...
E foi assim que começaram as minhas experiências de criação pessoal. A forma como tudo decorreu a partir do momento em que comecei a desenvolver projectos também teve um papel determinante, mas essas estórias ficam para uma próxima ocasião.

Dança e Espectáculos


(C.E.D., "A Propósito de Luéji", Luanda, 1992)



(C.E.D., ensaios, Luanda, 1992)







(C.E.D., Mea Culpa, 1992)









(C.E.D., Mea Culpa, 1992)

Como tudo começou...

(Conjunto Experimental de Dança, 1992)



Tudo começou no final do ano 1991. Tinha chegado a Luanda há cerca de um ano vindo de Portugal e começava a desesperar por algum tipo de manifestação cultural numa cidade com muito pouco para oferecer além do clima e das praias (e das pessoas...). E foi então que vi na televisão local um spot a anunciar a realização de dois espectáculos do Conjunto Experimental de Dança (C.E.D.) no Teatro Avenida em Luanda.
Após a surpresa inicial em relação à existência de um conjunto do género em Angola resolvi preparar-me para aproveitar a ocasião e fazer algumas fotografias. No dia do primeiro espectáculo tive o cuidado em chegar cedo ao local de forma a obter autorização. Fui então encaminhado até à Directora Artística do C.E.D., Ana Clara Guerra Marques, que, no meio de toda a azàfama de bastidores, acedeu em conceder-me alguns minutos para informar que não seriam permitidas fotografias com flash e movimentações em cima do palco ou em frente dos espectadores.
Na altura achei estranho estas advertências pois tinha-as como óbvias. Mas o certo é que nunca tinha assistido a qualquer género de espectáculo em Luanda e mais tarde compreendi a sua razão de ser...
E pronto, lá fiz as minhas fotos, tendo regressado no espectáculo seguinte para concluir o trabalho.
Depois desses dois espectáculos nunca mais ouvi falar do C.E.D. até que, alguns meses depois, conheci a bailarina Vanda Nascimento, uma das pessoas responsável pelo conjunto, perfeitamente por acaso numa praia. Após alguma troca de impressões fiquei a conhecer um pouco mais acerca do C.E.D. e claro falei das fotos que tinha tirado nos espectáculos do Teatro Avenida.
Alguns dias depois fui assistir ao regresso aos ensaios do C.E.D. , com as minhas fotos, e tive a oportunidade de conversar e conhecer melhor a sua directora, Ana Clara.
A partir desse dia começou a minha colaboração... Algumas semanas mais tarde comecei a trabalhar no cartaz e programa que o C.E.D. havia de levar à expo 92 de Sevilha, dando assim inicio à minha carreira profissional como designer gráfico e fotógrafo.
Mais tarde vim a tornar-me um dos membros fundadores da Companhia de Dança Contemporânea de Angola, mas isso são outras estórias...

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Um pequeno esclarecimento em tom de desculpa...

("O ovo da Serpente",1994/1996)


Pois bem, este espaço foi concebido de forma a ser totalmente renovado de duas em duas semanas. Devido a alguns problemas relacionados com a internet tenho estado impossibilitado de cumprir esse objectivo. Espero no prazo de alguns dias (a partir de 17/08) estar apto a retomar a actividade e prosseguir a actualização e renovação deste blog.
De forma a não tornar isto tudo demasiado maçador irei alterar um pouco o formato passando a tratar apenas duas vertentes do meu trabalho de cada vez. Sendo que serão os vossos comentários a defenir quais as vertentes a ter maior visibilidade.
Espero a vossa compreensão e paciência, em breve estarei de volta com novidades...

domingo, 3 de junho de 2007

Então é assim...

(trabalho em desenvolvimento-foto digital s/tela -"anjos e sortilégios"-2007)


Durante os primeiros tempos deste espaço vou andar a experimentar um pouco as coisas e com isso correr o risco de tornar tudo um pouco confuso. Sou relativamente novo nestas andanças na "blogoesfera" e ainda estou a tentar perceber como é que tudo isto funciona e como é que poderei estruturar o espaço de acordo com algumas das ideias que trago. Dentro da minha trajectória em fotografia criativa irei procurar efectuar separadamente a apresentação das vertentes de criação pessoal, dança e espectáculos, moda e valorização pessoal e alguma reportagem.
Assim sendo, nesta fase experimental do blog, deixo-vos alguns exemplos de cada área acompanhados de algumas considerações.
( "o Ovo da Serpente" , acrilico s/fotografia, 1994/1996)




Criação pessoal
















Esta vertente engloba os trabalhos que normalmente apresento nas diversas exposições já efectuadas.

Esta criação ("O tempo das flores sob uma nova perspectiva: o estado de culpa", técnica mista, acrilico/areia s/fotografia) data de 1994/1996 e faz parte do que se poderá chamar a "primeira fase" do meu percurso. Fase esta que engloba obras realizadas entre 1992 e 1996, sendo que, após 1996, ocorreu um intervalo no qual, e apesar de ter continuado a realizar exposições e a recolher imagens, não efectuei qualquer trabalho de criação pessoal.

Este interregno terminou em 2003 com o regresso às minhas experiencias dando inicio a "segunda fase" da minha criação pessoal, a qual decorre ainda.

Mais tarde conto tecer mais considerações acerca destas duas fases, do que as distingue e do fio condutor que as une.

Bem como de todo o processo, por vezes complexo e doloroso, que envolve a criação e desenvolvimento deste tema.

(capa do video "Uma Frase Qualquer" , 1996)

Dança e Espectáculos

(capa do livro "A Companhia de Dança Contemporânea de Angola", 1997/ 2003)




Falar desta área implica falar da minha ligação e percurso junto da Companhia de Dança Contemporânea (C.D.C.) de Angola e da directora artística, coreógrafa e bailarina Ana Clara Guerra Marques. Aliás todo o meu trajecto na fotografia como profissional foi marcado pelo dinamismo, profissionalismo, preserverança e sensibilidade de Ana Clara. Não encontro adjectivos suficientes para sublinhar a importância que teve, e continua a ter, poder trabalhar com alguém com o carácter da directora artística da C.D.C. de Angola.
Será sem dúvida um tema a desenvolver em posteriores actualizações deste blog.

Moda e valorizacão pessoal

(Carina Lima, Portugal, 2005)







(Joana Romeiro, Angola, 2003)


Este tema foi caracterizado, por um lado, pelo surgimento e desenvolvimento do fenómeno da moda em Angola, logo após a transição do país de uma realidade de centralização da economia e partido único para uma economia de mercado e consequente multipartidarização. E por outro lado pela minha paixão, dedicação e especialização na vertente de retrato.
Irei falar mais tarde no meu trabalho desenvolvido com a primeira agência e escola de modelos e manequins estruturada e profissional (aspectos preponderantes para a sua sobrevivência) de Angola, a "Fresco" de Kayaya Jr e Mila Camposana. Não esquecendo nomes como os dos criadores Cajó e Didi.
Para o aperfeiçoamento da minha técnica em retratos foi essencial a colaboração e cumplicidade das inúmeras modelos e manequins angolanas que, nesses primeiros anos de aprendizagem e experiências, deram literalmente o corpo ao manifesto...













Reportagem e Publicidade

(visita do Papa João Paulo II a Angola, 1992)





Provavelmente esta terá sido a vertente menos visível da minha obra. Embora nos tempos do primeiro semanário privado angolano, Correio da Semana, as minhas fotos tenham sido presença assídua no espaço de cultura e sociedade, organizado pelo então jornalista Alvaro Macieira.
Foi também na área cultural do Jornal de Angola, a única publicação diária de âmbito nacional em Angola, que a minha colaboração teve mais visibilidade.
Num país com as características socio-económicas de Angola durante os anos 90 a esmagadora maioria dos fotógrafos nacionais e correspondentes estrangeiros movimentavam-se no universo do foto-jornalismo. E foi esta minha característica de não-querer-ser-mais-um que me fez abraçar e dedicar a áreas da fotografia em que mais ninguém parecia interessar-se.
Agora poderá dizer-se que é mais fácil ser-se o melhor quando não há mais ninguém, terão que ser vocês a julgar...
Mas também aqui existem nomes, temas e situações interessantes para desenvolver mais tarde.
Fico à espera da vossa opinião e comentário.